O Silêncio de Koré

Curta  Metragem Experimental | COR | Som  | 7′ | 2023 

“O Silêncio de Koré” é o segundo curta de uma série de filmes criada pelo performer queer Emilianno Zapata e o diretor Paulo Mendel. O primeiro curta, “Hygieia”, fez parte de uma exposicão no Museu da Imagem e do Som – SP, e foi selecionado para o Buenos Aires International Film Festival e o 35º Image+Nation Festival Film lgbtqueer Montreal.

 

 

SINOPSE

Baseado no mito de Deméter, Deusa da Colheita, e Perséfone – também conhecida como Koré -, Rainha do Inframundo, o filme “O Silêncio de Koré” retrata o encontro de mãe e filha separadas pelos mundos dos vivos e dos mortos. Inspirado nos Mistérios de Eleusis, o curta do gênero fantasia queer usa elementos associados ao pós-terror para ressignificar o ciclo de de tudo que é vivo, e o medo se torna encantamento.

 

 

 

“O Silêncio de Koré é um fragmento do mito da Rainha do Inframundo, no qual Perséfone, também conhecida como Koré, renasce dos mortos e reencontra com sua mãe Deméter, Deusa da Colheita. O culto dessas duas Deusas, cuja desobediência foi anárquica aos desígnios dos Deuses Zeus e Hades, desafiando as leis da vida e da morte, se tornou o mais reverenciado rito secreto da Grécia antiga. O Mistérios de Eleusis foram praticados por mais de mil anos, promovendo benefícios após a morte, mas parte desses transformadores rituais de consciência alterada permanecem desconhecidos. Por essas razões, esse enigmático festival também é associado com a etimologia da palavra “mistério” em diferentes línguas.

Segundo o mito, Koré, como Perséfone era conhecida enquanto uma garota virgem, foi raptada por Hades e se tornou rainha ao lado dele, um pacto selado com uma romã, a “fruta dos mortos”. As emoções de Deméter com a ausência de sua única filha definem a mudança das estações na Terra, e portanto governam os ciclos da natureza e de tudo que tem vida. O luto e a fúria dela iniciam um período de fome. Para evitar a extinção dos mortais, Zeus faz um acordo com Hades para que Perséfone pudesse retornar periodicamente para a mãe, o que garantiria parte do ano com estações floridas e novas colheitas. A história tem diferentes versões. Em algumas, Hades obriga Koré a comer algumas sementes de romã. Em outras, foi escolha dela comê-las para permanecer com ele no reino dos mortos. Diferente da invisibilidade geralmente associada à ela no mito grego, o filme traz uma Perséfone empoderada sobre seu próprio destino, e não como uma personagem passiva guiada pelas decisões dos outros. De alguma forma, se trata também de um mito sobre a passagem para a fase adulta, e Perséfone se torna a mulher que ela deseja ser.

Em Silêncio de Koré, Demeter é interpretada por Larissa Luz. Os chamados dela por Koré são as únicas palavras ditas e cantadas no filme. Ainda que vislumbres da emoção de Perséfone possam ser vistos nos seus olhos ao retornar à Terra, eles permanecem misteriosos. Inspirado nos Mistérios Eulesinos, esse curta de fantasia queer usa elementos associados ao pós-terror para representar uma relação separada pelos mundos dos vivos e dos mortos. Com Persephone como personagem principal, interpretada por Emilianno Zapata, o filme ressignifica o ciclo de morte e renascimento, e o medo se torna encantamento.”

OLHAR DO DIRETOR

 

2023

  • VIFF – Vienna Independent Film festival | Viena, Áustria
  • The Artists Forum Festival of the Moving Image | Nova Iorque, Estados Unidos